Privatização dos Correios: estudo aponta conclusão da primeira fase do projeto

Os Correios divulgaram hoje uma carta aberta aos clientes informando que concluíram o estudo da Fase 1 do Projeto de Privatização da estatal, ou desestatização nas palavras do documento. Confira na íntegra o que diz os Correios em relação a provável privatização da empresa:

Iniciada em agosto de 2020 sob a coordenação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a fase 1 dos estudos de desestatização dos Correios realizou um diagnóstico do mercado global (com análises em mais de 19 países), com o objetivo de buscar alternativas para potencializar a geração de valor do setor postal em um cenário de intensa transformação e inovação. Os resultados do trabalho conduzido pelo Consórcio Postar (formado pela consultoria Accenture e pelo escritório Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Falcão Advogados), já aprovados e divulgados pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimento (CPPI), reportam que a célere digitalização das relações sociais e de consumo impulsionaram mudanças significativas nos setores postais, em que sairão vencedoras as empresas que conseguirem se adaptar rapidamente aos novos hábitos da população.

Baseado na premissa central da garantia do serviço universal para todos os usuários e clientes do Brasil, o diagnóstico dos setores postais global e brasileiro buscou compreender a dinâmica do mercado, identificando tendências e oportunidades para os Correios se posicionarem e vencerem na dinâmica da conjuntura observada.

CENÁRIO ATUAL

Em maio deste ano, o Conselho de Administração (CA) aprovou o balanço financeiro dos Correios, que registrou um lucro líquido de R$ 1,53 bilhão – o melhor resultado da empresa nos últimos 10 anos. Dentre os números apresentados, destacam-se as receitas de encomendas, que mantiveram o patamar de crescimento verificado nos anos anteriores, atingindo acréscimo de 9% em relação a 2019, resultado decorrente, principalmente, da expansão do e-commerce. As receitas internacionais – obtidas por meio de serviços prestados a
Correios de outros países –, por sua vez, ultrapassaram o marco de R$ 1,2 bilhão, outro recorde para a empresa.

Os resultados obtidos em 2020 propiciam aos Correios credibilidade e a certeza de que a sua condução, pautada em boas práticas e no fortalecimento da sustentabilidade econômico-financeira, garante à empresa uma imagem institucional sólida. Isto, com efeito, permite à estatal desempenhar suas atividades com excelência nos cenários brasileiro e mundial, deixando-a, por conseguinte, em condições bastante favoráveis no contexto dos estudos de desestatização que estão sendo conduzidos a seu respeito.

IMPACTOS DO E-COMMERCE

A principal tendência detectada nesta primeira fase aponta o contínuo crescimento nominal global do segmento de encomendas – 98,11% entre 2016 e 2020 – movido pela digitalização da economia e pela demanda do e-commerce. Em contrapartida, a redução do volume de correspondências variou de 14% a 33% em países como Estados Unidos, Alemanha e Austrália no período de 2016 a 2020. Na Dinamarca, considerada um dos países mais digitalizados do mundo, a Postnord já teve seu tráfego reduzido em cerca de 41% entre 2015 a 2020.

Os Correios cresceram, em média, 12,6% ao ano no segmento de encomendas entre 2015 e 2020, o que representa um crescimento acumulado de 62,8% no período. No segmento de correspondências, o desafio para os Correios é maior, pois o setor se encontra em forte declínio. Quando analisados os números do último quinquênio, a queda do tráfego no Brasil chega a 48%, retração comparada à experimentada por outros países entre os anos de 2008 e 2013.

Em resumo, com o declínio acentuado da comunicação impressa, o serviço postal deixa, cada vez mais, sua natureza pública social para se tornar parte integrante do mercado de logística, onde a eficiência e a qualidade das operações são importantes diferenciais. Ao mesmo tempo, a empresa tem revitalizado seus serviços de correspondências, com a ampliação de capacidades tecnológicas como a identificação por código 2D nas cartas, simplificação e otimização das ferramentas de postagem, ampliação do e-Carta (serviço de correspondência que inclui recebimento de arquivos, impressão e entrega física) e lançamento, em 2020, da correspondência completamente eletrônica pelo
serviço Correios Entrega Digital.

SETOR POSTAL É REFLEXO DOS NOVOS HÁBITOS DE CONSUMO

O desejo do consumidor por uma experiência em casa semelhante à da loja física, ou seja, comprar e receber sem pagar frete, podendo, ainda, devolver um produto com facilidade, cresce diariamente. Por isso, as preferências nas compras on-line giram em torno, principalmente, de velocidade na entrega, transparência, custo-benefício, conveniência e flexibilidade. Com as operações digitais se tornando rotineiras, inclusive com itens de mercearia, os serviços de entrega rápida (same day express) são opções estabelecidas e fazem parte da expectativa dos consumidores.

As restrições causadas pela pandemia da Covid-19 também colaboraram para que mais pessoas passassem a comprar a partir de suas casas: o estudo indica um crescimento de 160% nas compras de comércio eletrônico por usuários novos ou de baixa frequência na comparação com o cenário antes da pandemia.

A frequência com que as pessoas têm comprado pela internet deve aumentar, inclusive, nas grandes empresas de varejo. De acordo com o estudo da Accenture, a participação no volume de vendas global cresce 2% ao ano e pode representar 22% do total até 2023. Esse cenário tem impulsionado as empresas do setor a investir em logística e firmar parcerias com startups para desenvolver uma experiência completa, da compra à entrega (end-to-end), aumentando sua base de clientes satisfeitos.

As startups têm foco em entregas de última milha, alavancando a economia compartilhada e o emprego de força de trabalho sob demanda. As principais vantagens dessas empresas em relação às tradicionais são suas estruturas, mais enxutas e de baixo custo, o alto índice de alavancagem de tecnologias, seus modelos de operação e gestão ágeis e, por fim, o emprego de força de trabalho flexível.

Movimento no Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios, em Benfica

CONCORRÊNCIA E DESAFIOS

No Brasil, vemos investimentos dos gigantes do e-commerce na verticalização da cadeia e em startups para redução nos prazos de entrega. Os grandes varejistas, atentos aos movimentos do mercado, estimam investimentos em logística visando à redução constante dos prazos de entrega de produtos próprios.

Quanto aos desafios operacionais percebidos pelos operadores postais dos países selecionados e do Brasil, os principais aspectos para a definição da estratégia futura dos Correios giram em torno da necessidade de melhoria da experiência do cliente e evolução do modelo operacional, bem como investimento em tecnologia para ganho de eficiência; a exigência por modernização e expansão da capacidade
instalada; e da otimização das operações face aos maiores custos de entrega para encomendas expressas.

FASE 2: DETALHAMENTO E AVALIAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA

Enquanto na fase 1 do projeto foram elaborados estudos de mercado, diagnóstico setorial nacional e internacional, estudo regulatório e proposição de alternativas de parcerias, nesta fase 2, a partir das alternativas aprovadas pelo CCPI, será aprofundado e detalhado o modelo a ser adotado para a liberalização e desestatização do setor postal. Para desenvolver os estudos dessa fase, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou um processo seletivo, sendo este vencido pelo consórcio Carta Brasil, formado pela KPMG e para Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados.

Nesta etapa, após uma rigorosa due diligence contábil e jurídica da empresa, será realizada a avaliação econômico-financeira dos Correios que, quando concluída, servirá de apoio à modelagem da concessão do serviço postal. O modelo final, que será submetido ao CPPI, deverá considerar, entre outras premissas, o atendimento universal do serviço postal em todo o território brasileiro e a melhoria na qualidade do atendimento aos clientes. Os estudos devem ser finalizados até setembro.

Os Correios continuam à disposição plena dos clientes, reforçando cada vez mais sua liderança na prestação de relevantes serviços em todos os cantos do Brasil. Também olham para o futuro, certos de que os estudos da desestatização apontarão novos instrumentos para ampliação da qualidade e eficiência do setor postal, em alinhamento com os avanços do comércio eletrônico e da digitalização das
comunicações, contribuindo com clientes e sociedade para o melhor aproveitamento da transformação e inovação que resultam grandes oportunidades para o país.


Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

Redação

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