Jovem Pan: DEM e PSL criaram União Brasil como ‘a grande legenda’, mas foi pura ilusão

A ilusão existe e iludido é quem não acredita nela. Há relatos de desorientados em deserto que enxergam e correm em direção a oásis imaginados e até se refrescam em fontes inexistentes. Na política é a mesma imaginação. Há os que se apaixonam mais com a rede do que com o peixe e correm atrás de ilusão com tamanha certeza que cega. O DEM e o PSL estão nesta marcha. Imaginaram criar o maior partido do país com a fusão que passa a se chamar União Brasil. Somando os deputados do PSL, 54, aos do DEM, 28, teoricamente seria mesmo a grande legenda. Pura ilusão. Sem base sólida, nenhuma construção prospera. Para se ter uma ideia, até o líder do PSL, deputado Major Vitor Hugo, vai sair. No partido, 23 adiantam que estarão fora e outros 11 estão em dúvida. No DEM, o desmonte também está programado. Um dos fundadores do partido, deputado licenciado e agora secretario Rodrigo Maia saiu atirando. Mais cuidadoso, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, anuncia a troca de legenda e se filia ao PSD. 

Olhando de longe, a miragem é de que o União passaria a mandar no Congresso com 82 dos 513 deputados. É um feito. Quase o dobro do segundo partido, o PT, com seus 53 deputados. Na realidade, no acerto para as eleições, este novo partido terá muito dinheiro, R$ 1 bilhão, somando todos os fundos. Esta é a isca para novos parlamentares e candidatos. A promessa é de que vai jorrar verba na campanha. Mas a promessa de grande partido será mesmo o Progressistas (PP), com seus atuais 42 deputados, que deve somar mais de 60 se houver, como programada, a filiação do presidente Jair Bolsonaro e os seus aliados de outros partidos, principalmente os 25 do PSL. A promessa é esta. Fugindo das ilusões, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, aposta nas próprias pernas e no caminhar. A estratégia é filiar líderes importantes nos Estados para erguer das urnas um partido maior, que pode ser o futuro grande partido do Congresso. Kassab é hoje o que mais pratica a política tradicional. Estabelece lideranças sólidas nos Estados. Cada Estado com a sua força. A receita do antigo MDB. 

O poder na política obedece regras não escritas, mas certas. O Centrão não está registrado no Congresso. Nunca teve um líder formal e nem sede. Mesmo não sendo formalizado, manda na política e atravessa a Praça dos Três Poderes e assume partes do Executivo. Aí não é ilusão, mas prática. Tem poder quem demonstra poder ou tem expectativa de tê-lo. Enquanto o debate visível está na disputa do Palácio do Planalto, os políticos experientes traçam estratégias para dominar o Congresso. Os partidos se lançam na guerra por bancadas e sabem que quem dominar o Legislativo, vai dominar o futuro governo, esteja ele com quem estiver.  Está contabilizado que não há chance de surpresas entre Bolsonaro e Lula, mas também está certo de que quem for eleito vai precisar do comando entre Câmara e Senado. Aí está o verdadeiro poder e não é miragem.

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